terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cena caricata na igreja do santo

Por Humberto Pinho da Silva

Entre os amigos de infância, havia um, por quem tinha peculiar amizade: o Frei Martinho.
Frei Martinho Manta era um modesto filho de S. Francisco, que em anos de juventude fora sapateiro. Quando o conheci, era o velho frade, homem sisudo, e tinha por principal missão guardar a portaria do conventinho da Capela doa Anjos, no Porto.
Não era senhor de muita escolaridade, mas polira-se no convívio dos irmãos na Fé e cultivara-se com os padres mais letrados. A superior inteligência e agudeza de espírito, permita-lhe palestrar com elegância, graça, e até erudição.
Como bom franciscano que era, assentou visitar a Porsiúncula; e uma vez em Itália, manifestou desejo de ir a Pádua, visitar o Santo, por quem tinha respeito e especial veneração.
Aprazou com Frei António, que na época vivia no mosteiro, anexo à Basílica de Santo António, na via Merulana, e anos atrás seu companheiro de noviciado, em Varatojo, para preparar-lhe viagem e alojamento
Após calcorrear os escaninhos do Vaticano, e orado diante do túmulo do Apóstolo S. Pedro, assentou com o Irmão António, ir a Pádua, deprecar junto do tumulo do Santo.
Prontamente Frei António acedeu, e transportou-o na sua viatura.
Penetrou, fervendo em devoção, Frei Martinho, na célebre igreja e respeitosamente avizinhou-se do túmulo.
Como observasse fiéis a colarem a fronte ao mausoléu, não hesitou a seguir-lhes a postura.
Terminada a oração, acercou-se do amigo, que cavaqueava alegremente com irmãos, filhos do venerando S. Francisco, e indignado, verifica que numerosos frades mal disfarçavam as risadas, acabando por explodirem em estridente risota, em local que devia ser santo.
Foi então que Frei António, explicou-lhe, em risos, que os jovens fieis que encostavam a testa ao tumulo, oravam para rogarem a intervenção do santo na busca de namorado/a.
Imaginem, agora, os leitores, o que pensariam os crentes ao presenciarem um frade, entrado em anos, trajado a rigor, com a fronte colada ao túmulo!
A concluir, falta-me esclarecer que Frei Martinho Manta O.F.M., era alentejano, natural de Moura, e faleceu na enfermaria do Colégio de Monteriol, em Braga, a 29 de Julho de 1996.
Frei António, oriundo de Vila Pouca de Aguiar, serviu a Ordem e a Igreja, em Roma, e faleceu no Porto.

Humberto Pinho é renomado jornalista português, residente em Porto-Portugal e eminente colaborador desta Gazeta de Notícias

humbertopinhosilva@sapo.pt
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