sexta-feira, 8 de abril de 2011

Massacre de 12 crianças em escola do Rio comove Brasil


Gazeta de Notícias (Foto do jornal EXTRA) - Rio de Janeiro, 7 abr - A tragédia mudou a rotina de uma escola da periferia do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, quando um ex-aluno, aparentemente desequilibrado, atirou contra crianças que assistiam às primeiras aulas do dia deixando 12 mortos e 12 feridos, antes de cometer suicídio.

O massacre causou comoção no Brasil, que apesar dos altos índices de assassinatos e violência nunca tinha sido palco de uma tragédia deste tipo, o que provocou o "repúdio" da presidente Dilma Rousseff.
Os fatos ocorreram na escola municipal Tasso da Silveira, situada em Realengo, bairro da Zona Oeste da cidade. A normalidade do local foi alterada nesta quinta-feira pelos disparos do assassino que causaram pânico entre os mais de 400 alunos do colégio e entre os moradores que se amontoaram na frente do local em busca de notícias.
Muitos pais entraram em estado de choque ao constatar que seus filhos estavam entre os mortos e feridos, enquanto os bombeiros corriam para levar as vítimas em ambulâncias e helicópteros aos hospitais.
As vítimas são dez meninas e dois meninos entre 12 e 14 anos de idade, a maioria atingida por tiros na cabeça e no tórax, segundo a Secretaria de Saúde. Outros 12 estudantes que ficaram feridos foram internados em diferentes hospitais da região e, segundo os médicos, três deles estão em estado grave.
Assim que os feridos foram atendidos pelos bombeiros, a comoção chegou aos hospitais, especialmente ao Albert Schwitzer, o mais próximo do local, que durante toda a manhã reuniu familiares que se abraçavam ao serem informados dos detalhes da tragédia.
Segundo as autoridades, dois dos meninos feridos conseguiram sair da escola e pediram ajuda a três policiais que faziam uma blitz na região. Os policiais entraram imediatamente na escola e um deles atirou nas pernas do assassino, quando este subia as escadas em direção ao terceiro andar do colégio.
O atirador, identificado como Wellington Menezes Oliveira, de 23 anos, era ex-aluno da escola e, ao se ver rodeado pelos policiais, cometeu suicidou com um tiro, segundo a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro.
Wellington, que segundo um antigo patrão era uma pessoa "introvertida e calma", deixou uma carta com instruções sobre seu enterro na qual pede que seu corpo não seja tocado por "impuros" sem usar luvas e mostra um fanatismo religioso.
Na carta publicada pela Polícia, o atirador pede que seu corpo seja "lavado" e preparado para o enterro, e para que não seja tocado por "impuros": "somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas".
Inicialmente, porta-vozes oficiais disseram inicialmente que Wellington tinha feito menções ao Islã e que estava infectado com o vírus HIV, a carta enviada à imprensa não mostra essas afirmações.
Testemunhas citadas pelas autoridades disseram que o assassino, que estava bem vestido, entrou na escola dizendo que era um palestrante que participaria de um seminário por causa do 400º aniversário do centro educacional, e falou tranquilamente com uma professora que o reconheceu como ex-aluno.
Até agora, as autoridades não deram uma explicação sobre os motivos que levaram Wellington a realizar o massacre, mas tudo indica que, além das referências ao islã, se tratou da ação de uma pessoa desequilibrada, segundo especialistas.
A presidente Dilma, que se emocionou ao pedir um minuto de silêncio pelas vítimas em um ato com jovens empreendedores em Brasília, manifestou seu "repúdio" a este assassinato de "crianças inocentes".
"Não era característica do país ocorrer esse tipo de crime, por isso eu considero que todos aqui, todos nós, homens e mulheres, aqui presentes, estamos unidos no repúdio ao ato de violência, no repúdio a esse tipo de violência sobretudo com crianças indefesas", disse Dilma.
A governante, que definiu as vítimas como "brasileirinhos que foram retirados tão cedo da vida", decretou três dias de luto oficial.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, garantiu em entrevista coletiva que Wellington estava equipado com um cinto no qual levava duas armas de fogo e definiu o assassino como "psicopata" e "animal".
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