sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Família e familha

Um amigo meu, comigo no Horto, depois de observar no Socorro, no Museu e no Horto a quantidade de ex-votos ao Padre Cícero por graças alcançadas por sua intercessão, me disse: “A Igreja procura um milagre [cientificamente comprovado] do candidato a santo. Aí o Padre Cícero tem um navio de milagres, e ficam com essa lengalenga!”
Mais virtudes do que defeitos (crônica de 27. 05.06).

Muitos conselhos bons e práticos encontramos na Bíblia. Um deles está no Eclesiástico, capítulo 33, versículo 20: Ao filho e à mulher, ao irmão e ao amigo não dê poder sobre ti, durante a vida; e não entregues a outro tuas posses, para não suceder que te arrependas e tenhas de pedir de volta.

Nas crônicas, eu cheguei a escrever que a maior solidão é a de quem está acompanhado [de pessoas indiferentes, ou que pouco lhe dão atenção].

Eu disse isto por quê? Porque o que se vê é mulher não dar atenção ao marido; marido não dar atenção à mulher; filho não ligar para os pais; pais não ligarem para os filhos, nem irmão ligar para irmão.

Falando dessa falta de amor na família, alguém disse numa televisão católica que existe família e familha. Quer dizer: marido e mulher e filhos podem estar juntos, porém cada um por si, cada um separado do outro, como ilha é separado da terra enxuta.

Esta realidade dói como corte de faca sem gume na carne.

Sou do tempo em que a mulher e o marido sempre se consultavam reciprocamente sobre terminado assunto. Havendo divergência, procuravam solução que fosse mais conforme ao interesse do casal e dos filhos. Tempo em que ouvir o marido ou ouvir a mulher não era uma vergonha, porém bom senso. Tempo em que o filho pedia a bênção aos pais e lhes ouviam os conselhos, quase sempre. Tempo em que os mais velhos eram consultados, embora a velhice nem sempre seja sábia, como diz o Livro da Sabedoria (4,8-9): A velhice venerável não é a de uma longa duração e nem se mede pelo número de anos; / o bom senso equivale aos cabelos brancos, uma vida sem mancha, à idade avançada.

Hoje, a mulher só pensa nos direitos que as leis dão a ela. O marido só pensa na cerveja. Os filhos só pensam na obrigação que os pais têm com eles. Ninguém quer assumir responsabilidade. Só quer direito. Direito, sim. Obrigação, não. Se um desses parentes disser uma palavra que desagrade o outro, vai este ao delegado ou ao juiz e se diz ultrajado, “discriminado”, e é capaz de abrir contra o parente processo por danos morais.

Marido, mulher e filhos: tolerai-vos uns aos outros. Formai uma família. (03.12.10)
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