quarta-feira, 18 de março de 2015

Gazeta de Notícias -

Ministro da Educação presta esclarecimento sobre declaração polêmica, e reafirma acusação
por Chico de Gois e Isabel Braga
18/03/2015 15:40 / Atualizado 18/03/2015 16:43

Ministro Cid Gomes discursa no plenário da Câmara - Gustavo Lima / Agência Câmara
BRASÍLIA - O ministro da Educação, Cid Gomes, enfrentou o plenário da Câmara e repetiu, diante de cerca de 300 parlamentares, que há achacadores entre os deputados e criou mais um embate entre o governo e o Congresso. Além disso, dirigindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que na semana passado o qualificou de mal educado por conta das afirmações, disse:
— É melhor ser acusado de ser mal educado do que (ser acusado) de fazer achaque.
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), pediu, da tribuna, que o governo demita o ministro.
Cid afirmou que não retirava o que havia afirmado durante uma visita à Universidade Federal do Pará (UFPA), de que na Câmara "tem uns 400 ou 300 deputados que quanto pior, melhor para eles. Eles querem que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, aproveitarem as emendas impositiva". No entanto, disse que publicamente ele não dizia isso, mas pensava desta maneira de forma particular.
— Quem falava ali não era o ministro, mas a pessoa física, que também tem grande respeito pelo Parlamento — disse Cid que, na sequência, atacou os parlamentares da base de apoio ao governo que, na visão dele, age dessa maneira.
— Isso não quer dizer que concordo com a postura de alguns, de vários desses, que mesmo estando no governo têm postura aqui de oportunismo. Partidos de situação têm o dever de ser situação. Ou larga o osso e saia do governo — provocou.
Cid até pediu desculpas, mas seus ataques posteriores, em tom elevado, inflamou o plenário. O presidente da Câmara, que havia lhe concedido 15 minutos a mais para falar, acabou por lhe cortar a palavra. E os líderes parlamentares se sucederam nos ataques.
Mendonça Filho (DEM-PE), por exemplo, lembrou que, em seu discurso, Cid poupou a oposição de suas críticas, dizendo que a esses deputados cabia criticar o governo, enquanto quem estava no governo devia apoiar.
— Como a oposição tem cerca de 100 membros, isso significa que os achacadores estão na base de governo — afirmou..
— Me perdoem, eu não tenho nenhum problema em pedir perdão para aqueles que não comportam desse jeito. Me desculpem, não foi minha intenção agredir ninguém — afirmou o ministro
Cid Gomes foi convocado para esclarecer a declaração que fez durante um evento em Belém. Ele chegou ao Plenário acompanhado de políticos do Ceará e colegas de partido, como o governador do estado, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PROS). Antes do início da sessão, o ministro cumprimentou deputados de outros partidos que já estavam na Casa.
O ministro convocado a prestar esclarecimentos depois de dizer, no início do mês, que há “uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles”, que querem o governo fragilizado para “achacarem mais”.
Ao assumir a presidência da sessão, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pediu para que quem não fosse deputado federal se retirasse do Plenário:
— Por favor, eu peço que quem for não for deputado federal, e não tiver credencial, que deixe o Plenário e se acomodem na galeria.
O pedido irritou políticos do Ceará que acompanhavam Cid Gomes:
— Isso é um absurdo, estão colocando os deputados estaduais do Ceará para fora do Plenário, quando forem lá, vamos colocar pra fora também - reclamou o deputado estadual Welington Landim (PROS).
O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (Pros), irmão do ministro da Educação Cid Gomes, aconselhou que seu irmão mantenha a declaração polêmica. Em entrevista ao blog do Eliomar, hospedado no site do jornal “O Povo”, do Ceará, Ciro Gomes disse não se importar se a declaração vai piorar a relação do governo com o Congresso, e defende que seu irmão reafirme sua declaração.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/cid-gomes-diz-para-deputados-oportunistas-que-larguem-osso-saiam-do-governo-1-15631258#ixzz3UlumavWd
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terça-feira, 17 de março de 2015

Gazeta de Notícias

domingo, 15 de março de 2015

CNBB divulga nota sobre a realidade atual do Brasil

Gazeta de Notícias -
CNBB
Adital
"Pratica a justiça todos os dias de tua vida e não sigas os caminhos da iniquidade” (Tb 4, 5)
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 10 a 12 de março de 2015, manifesta sua preocupação diante do delicado momento pelo qual passa o País. O escândalo da corrupção na Petrobras, as recentes medidas de ajuste fiscal adotadas pelo Governo, a crise na relação entre os três Poderes da República e manifestações de insatisfação da população são alguns dos sinais de uma situação crítica que, negada ou mal administrada, poderá enfraquecer o Estado Democrático de Direito, conquistado com muita luta e sofrimento.


Esta situação clama por medidas urgentes. Qualquer resposta, no entanto, que atenda antes ao mercado e aos interesses políticos que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e desvia-se do caminho da justiça. Cobrar essa resposta é direito da população, desde que se preserve a ordem democrática e se respeitem as instituições da comunidade política.
Diante das suspeitas de corrupção na gestão do patrimônio público, manifestamos nossa firme convicção de que a justiça e a ética requerem uma cuidadosa apuração dos fatos e a responsabilização, perante a lei, de eventuais corruptos e corruptores. Enquanto a moralidade pública for olhada com desprezo ou considerada um empecilho à busca do poder e do dinheiro, estaremos longe de uma solução para a crise vivida no Brasil. A solução passa também pelo fim do fisiologismo político que alimenta a cobiça insaciável de agentes públicos, comprometidos com a manutenção de interesses privados. Urge, ainda, uma profunda reforma política que renove em suas entranhas o sistema político em vigor.
Comuns em épocas de crise, as manifestações são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. O que se espera é que sejam pacíficas. "Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao seu descrédito” (Nota da CNBB 2013).
Nesta hora delicada e exigente, a CNBB conclama as Instituições e a sociedade brasileira ao diálogo. Na livre manifestação do pensamento, no respeito ao pluralismo e às legítimas diferenças, este momento poderá contribuir para a paz social e o fortalecimento das Instituições Democráticas.
Deus, que acompanha seu povo e o assiste em suas necessidades, abençoe o Brasil e dê a todos força e sabedoria para contribuir para a justiça e a paz. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda pelo povo brasileiro.
Brasília, 12 de março de 2015

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida – SP
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luis do Maranhão – MA
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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